Margarida
Dizer quem sou deixa muita coisa de fora. Pode até ser ingrato com tudo o que deixei de ser pelo caminho.
Chega mesmo a ser injusto face a tudo o que sonho ser.
Sou tudo o que tentei ser, tudo o que escolhi pela vida não ser, tudo o que fiz e experimentei.
Acredito que somos tudo o que vivemos. Eu sou. Tudo o que vivi e tudo o que vivo.
E se escrevo, também serei escritora.
NOVO LANÇAMENTO
À noite os pés são frios
Há neste livro a preocupação central com o abandono dos mais velhos.
O abandono que pode tomar várias formas, desde a mais cruel e violenta, à mais doce, atenta e protetora. O abandono toma conta até das relações familiares em que existe amor, porque a evolução da forma de vida em sociedade assim o dita, assim nos encaminha.
É o retrato duma forma de estar coletiva que causa solidão. É o confronto com a consciência de que a solidão mata e de como, através dela, somos capazes de fazer morrer, aos poucos, os nossos. Só os que amamos, nos podem deixar sós. À Noite os Pés são Frios é o meu primeiro livro de ficção.